A
história de Rastro - O primeiro perfume brasileiro

Além
de ter sido o primeiro perfume 100% nacional, a importância de Rastro vai além,
pois o produto mudou os hábitos de consumo da época. As propagandas nos jornais
e revistas exploravam o apelo sexual e chocavam os mais puritanos, acostumados
à ideia de usar águas perfumadas por motivos higiênicos. Devido à sua atraente
embalagem, mulheres compravam o perfume mesmo sabendo ser masculino, o que com
o tempo fez de Rastro um perfume unissex. O frasco redondo, feito de vidro grosso
e pesado em estilo apotecário, era recarregável. Muitos preservavam-no para
guardar algodão, que ficavam perfumados e eram usados como aromatizadores de
bolsas.
Por
quase duas décadas as vendas de Rastro foram sucesso. Mas em meados dos anos 80, perfumes importados
mais opulentos entraram para a moda e o público diminuiu seu interesse pelos
aromáticos. Também contribuiu para o declínio da marca o brutal e covarde
assassinato de Aparício em 1992 por motivação homofóbica, já que sua
personalidade estava diretamente associada ao produto. Sem o glamour de antes,
a marca foi vendida à Monange e, em 2007, transferida para a Hypermarcas. Atualmente a fórmula se desfigurou, nem
lembrando “de longe”, a fórmula original. O que no passado foi símbolo
de pompa e exclusividade e jamais conhecido pela nova geração, se tornou um mero
artigo de higiene pessoal. Poucos são os brasileiros que têm o luxo de manter
em sua memória olfativa um “rastro” dessa lenda da perfumaria nacional.
Nota
da autora: A melhor fragrância do gênero cítrico de todos os tempos.
Incomparável e insubstituível.
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